Crianças da LBV participam de oficina de Libras

23/08/2019

 

Silêncio. Apenas mãos, braços e faces se movendo de forma a construir letras, palavras e frases. Um bate papo tão real como qualquer outro. Ouve-se no máximo um cochichar, comuns de salas lotadas de crianças ansiosas por novos descobrimentos. Neste meio tempo, sem um som sequer, foi dito um fraterno “Olá, tudo bem?”, respondido por um amigável “Oi, bom dia!”. Esta conversa se deu na manhã de ontem, entre o instrutor de Libras (Língua Brasileira de Sinais), Renan Roque Campos de Souza, 27 anos e as crianças assistidas pela entidade filantrópica LBV (Legião Boa Vontade) de Presidente Prudente.

A entidade realiza, há algumas semanas, atividades com o objetivo de conscientizar as crianças sobre a inclusão de deficientes, entre os quais se destacam os surdos. Os jovens têm aprendido, passo a passo, a Libras. Primeiro o alfabeto, depois o próprio nome, seguidas das palavras mais simples e mais usadas, como os cumprimentos, por exemplo. Eles estavam na ponta da língua, aliás, na ponta dos dedos quando Renan e sua esposa e intérprete Daiany Roque, 37 anos, chegaram para ministrar uma das oficinas que compõem o projeto.

“O professor eu conheci quando fazia um curso com ele no Centro Cultural Matarazzo. Ele é surdo de nascença. A intensão de trazer Libras para as crianças foi pensando mesmo na questão da inclusão. Por ser uma oficina que já foi dada na LBV há um tempo e por ser uma coisa que as crianças gostam muito, aí pensamos em trazer de volta esta disciplina que é importante, inclui todo tipo de ser humano” destaca a educadora social, Beatriz de Freitas Almeida, 21 anos.

Oficina

Dayane reitera que o objetivo da atividade para a qual foram convidados pela LBV é “falar um pouco da importância da inclusão da pessoa surda, falar da cultura surda, como você deve tratar um surdo.” A intérprete explica que a surdez é uma deficiência invisível, e esse é um dos motivos pelo qual as pessoas não sabem como se comportar ao interagir com uma pessoa surda.

“Desde criança sempre fui muito inocente, eu não conseguia me comunicar com as pessoas, os ouvintes não conseguiam se comunicar comigo, eu tinha vergonha de falar, aos poucos eu fui fazendo “fono”, minha voz foi se desenvolvendo e aí eu entendi que sou um indivíduo surdo. Até então, eu pensava que todos eram iguais a mim. Hoje eu entendo, sei que é importante eu falar, explicar o que é a cultura surda, falar para as pessoas que elas não precisam ter vergonha para se comunicar com um surdo, porque antes as pessoas não tinham coragem de falar comigo. Hoje as portas estão se abrindo, há inclusão. Vim aqui para mostrar para essas crianças que o surdo tem capacidade de crescer e de se comunicar!”, enfatiza Renan.

Vale a pena

É gratificante ao educador perceber que as crianças estão entendendo a mensagem de consciência e inclusão. A devolutiva é bastante evidente. A estudante Audrey Zatyrko, 8 anos, em sua inocência, entende bem a importância desses aprendizados. “É importante porque nós aprendemos e fazemos os

surdos se comunicarem com a gente. Eu faço Libras aqui, eu gosto, já consigo entender algumas coisas”.

A garotinha fez questão de falar seu nome em Libras para demonstrar que realmente tem aprendido. Novamente o silêncio... ela entendeu, perfeitamente, que o corpo fala.

Por: MARCO VINICIUS ROPELLI – ESPECIAL PARA O IMPARCIAL